
Sim, eu sou criança, e vou crescer desse jeito. Gosto de abraçar beeem apertado, sentir alegria inteirinha, inventar mundos e rir mesmo quando não se pode rir. Prefiro o simples e o complicado me aborrece. O mundo pra mim é incalculável, não entendo como moro em um planeta que gira sem parar, nem como funciona uma TV LED, e se tem uma coisa que me deixa realmente louca é essa tal de gravidade. Verdade seja dita, entender eu entendo, mas não faz diferença, as horas voam, os dias passam num piscar de olhos e até hoje ninguém descobriu o mistério do Triângulo das bermudas, ou quem inventou a cor. ( Tem coisas que não precisam ser explicadas, não pelo menos pra mim.) Tenho um coração maior do que eu, por isso nunca sei a minha altura, tenho o tamanho de um sonho. E o sonho escreve a minha vida que às vezes eu risco, rabisco, embolo e jogo debaixo da cama (pra descansar a alma). Coragem eu tenho um monte. Mas medo eu tenho poucos, mas o pouco medo que tenho me estremece as pernas. Tenho medo de Jornal Nacional e suas notícias catastróficas, de sapo, de maionese vencida, tenho medo das pessoas, de perder quem eu amo, tenho medo de mim. Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos dormem e acordam, nunca sei a hora certa. Mas uma coisa eu digo: eu não paro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara nos meus erros e dói, como dói! emburro, faço drama, levo rala. Mas sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. E vou. Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, se vai ter fim, se vai dar certo. E eu desejo, desejo o tempo todo que mesmo pequena, que eu não deixe de crescer. Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas e sei passar merthiolate sem chorar, aprender a deixar curar aquilo que dói. Escrevo escondido, faço manha, como a nutella do meu irmão escondida, choro quando dói, choro quando não dói. E eu amo. Quando digo que amo é igual criança. Amo com os olhos vidrados, amo com todas as letras. A-M-O. Sem restrições.