terça-feira, 17 de agosto de 2010
Eu sou o mensageiro
Sério, eu ainda não sei como não dediquei um espacinho aqui pra esse livro.
Morro de amores pelas obras de Markus Zusak, mas em especial " A menina que roubava livros" e "Eu sou o mensageiro". Vale muito a pena ler.
Conheça Ed Kennedy. Dezenove anos. Um perdedor.
Seu emprego: taxista. Sua filiação: um pai morto pela birita e uma mãe amarga, ranzinza. Sua companhia constante: um cachorro fedorento e um punhado de amigos fracassados. Sua missão: algo de muito importante, com o potencial de mudar algumas vidas. Por quê? Determinado por quem? Isso nem ele sabe. Markus Zusak, autor do best-seller A Menina que Roubava Livros, nos fornece essas respostas bem aos poucos neste incomum romance de suspense, escrito antes do seu maior sucesso. O que se sabe é que Ed, um dia, teve a coragem de impedir um assalto a banco. E que, um pouco depois disso, começou a receber cartas anônimas. O conteúdo: invariavelmente, uma carta de baralho, um ou mais endereços e... só. Fazer o que nesses lugares? Procurar quem? Isso ele só saberá se for. Se tentar descobrir. E, com o misto de destemor e resignação dos mais clássicos anti-heróis, daqueles que sabem não ter mesmo nada a perder nesse mundo, é o que ele faz. Ed conhecerá novas pessoas nessa jornada. Conhecerá melhor algumas pessoas nem tão novas assim. Mas, acima de tudo, a sua missão é de auto conhecimento. Ao final dela, ele entenderá melhor seu potencial no mundo e em que consiste ser um mensageiro.
Trecho
"O assaltante é um mané. Eu sei disso. Ele sabe disso. O banco inteiro sabe disso. Até meu parceirão Marvin, que é mais mané do que o assaltante, sabe disso. O pior de tudo é que o carro do Marv está estacionado lá fora, e o parquímetro, correndo. Estamos todos deitados aqui no chão de cara pra baixo, e os 15 minutos de estacionamento estão quase acabando. ‘Por que esse cara não anda logo com isso?’, falo bem baixinho.
‘Pois é’, Marvin responde. ‘Que absurdo’, o som da voz dele bate no chão e faz aquela vibração seca. ‘Vou levar uma multa por causa desse otário. Outra multa não dá, Ed. Não tô podendo.’
‘E esse carro aí nem vale a dor de cabeça.’ ‘Como é que é?’ Marv olha para mim. Dá pra sacar que ele está ficando puto. Ofendido. Se tem um lance que o Marv não admite, é que alguém fale mal de seu carro. Ele pergunta de novo. ‘O que você disse mesmo, Ed?’
Respondo baixinho: ‘Eu disse que esse carro não vale a dor de cabeça, Marvin. ‘Olha só, eu engulo qualquer desaforo, Ed, mas...’"
