Vivemos num momento de transição e conflitos, fica difícil entender. Nada mais normal. Mas ultimamente o que eu vejo não são mulheres independentes e felizes com seus novos “papéis”. O que enxergo são homens e mulheres perdidos e insatisfeitos, loucos por colo e amor, loucos por si só e loucos de saudade. Sim, loucos de saudade. Mulheres reclamando que querem ser “mulher de novo”, que estão cansadas de virar homem tantas vezes por dia, tendo que resolver a vida e o mundo. E não percebem que já fazem distinção entre “ salvar a vida e o mundo”: é coisa pra homem! Sinceramente, eu não intendo.Nós mulheres, em maioria, dizemos ter de trabalhar, pagar contas, impostos, saber tudo sobre contabilidade, escrever, ter uma bunda dura, um cabelo macio, quinhentos e cinqüenta e cinco cheiros gostosos pelo corpo, pés e mãos bem-feitos, saber o que está passando no cinema, ler de Sartre a Vogue, ajudar família, amigos, saber se o chassi do carro foi adulterado e estar linda e com a pele fresca quando alguém te chama pra sair. E quando isso acontece, o interfone toca e você está com duas blusas na mão, nenhum sapato no pé e uma interrogação bem no meio da maquiagem. O espelho não mente: você está ligeiramente linda, confusa e cansada. Porém tem sempre o cara te acha inteligente, gostosa, divertida e acha que você é moderna demais pra gostar de uma mensagem fofa no dia seguinte.( sem comentários ) Me deu até preguiça de concluir esse treicho.Tenho meu lado mulherzinha que não me deixa. Não sou emotiva, nem sensível a flor da pele, não choro à toa, não rodo a baiana, mas espero o telefone tocar de vez enquando, falo porra e sou feliz assim e desmonto quando recebo flores, tenho meus nhem-nhem-nhens e estou cansada de escutar mulheres dizendo: somos fortes, modernas inteligentes e não pagamos ingressos até a meia noite. Bonito muito bonito ( e salve a irônia ) assim eu prefiro “ser homem” em cima do salto 15, salvando minha vida e meu mundo.